Como uma pequena mudança de atitude pode aumentar sua produtividade e melhorar seu almoço

“Não confunda movimento com progresso” – Alfred Montapert

Quem nunca teve um dia cansativo, cheio, mas muito improdutivo?

Aquele dia em que você estava tão ocupado que não teve tempo nem de ir ao banheiro, mas mesmo assim terminou sem você ter feito nada de relevante?

Achamos que a culpa por dias assim é sempre o volume de trabalho, chefe, o universo, etc, quando na verdade, muitas vezes a culpa é nossa, nós só não reparamos.

O lado bom é que, quando identificamos onde estamos errando, é fácil corrigir isso e ter dias mais produtivos e menos estressantes.

Nesse texto te ajudarei a entender esse problema, e dar dicas de como solucioná-lo.

Mas antes, vou falar um pouco de self-services.

Self-services são o auge do “sincretismo culinário”: você começa com um prato decente, mas rapidamente já misturou feijão com estrogonofe, colocou todos os tipos de carne possíveis e ainda cobriu com um macarrão.

E, ainda assim, é um almoço normal de terça-feira (eu mesmo tirei a foto acima, no restaurante aqui do lado).

Agora imagine que você vai a um restaurante bacana, pede o prato da casa, a melhor recomendação do chef e ele te preparasse algo parecido com esse almoço.

Um absurdo, não? Você devolveria para a cozinha na hora.

Afinal, um bom prato é preparado com cuidado, poucos ingredientes que harmonizam entre si e criam uma ótima experiência gastronômica.

Mas então, porque nossos pratos no self-service se tornam uma autêntica suruba culinária?

Porque somos péssimos em fazer escolhas.

Para cada item do buffet que olhamos, a gente cai em uma grande armadilha: perguntar se “sim ou não”.

Frango? Sim. Feijoada? Claro! Rolinho primavera? Por que não?

E com isso o prato vai se tornando uma pilha de sabores desconexos, sem sentido algum, longe de ser uma boa experiência gastronômica.

Para reverter isso, basta mudar sua atitude.

Ao invés de ficar se perguntando se “sim ou não” para cada item, até chegar à balança, você deveria perguntar “qual” dos itens você prefere, dentre tudo que está disponível.

É dar um passo para trás (literalmente, ou não), colocar todas as opções à vista e montar um prato que faça sentido.

E essa simples mudança de pergunta, do “se?” para o “qual?” para obter algo melhor não se aplica somente ao buffet. Ela é também um dos segredos da produtividade no trabalho, de acordo com estudos do psicólogo Tony Crabbe

Foi ele que criou essa analogia (sem ser brasileiro, o que é impressionante), em seu livro “busy”.

Mas como assim, self-service e produtividade?

Mais parecidos que você imagina.

Um bandejão de tarefas

Um bom dia de trabalho é quase como um prato feito por um bom chef: equilibrado, com a quantidade certa de diferentes ingredientes.

Mas quantas vezes você já não se pegou cansado, com a sensação de que trabalhou muito, e se alguém te pergunta o que você fez hoje, é difícil responder?

Um dia ocupado, improdutivo, cansativo, longe do ideal mas com o qual já estamos acostumados. Igual o prato do self-service.

A melhor maneira de ilustrar isso é com a ferramenta que eu tenho a maior relação de amor e ódio de todas: o e-mail.

Quem nunca:

  1. Abriu caixa de entrada
  2. Viu que tem 200 mensagens novas.
  3. Teve um leve ataque de pânico.
  4. Clicou na primeira, respondeu, foi para a próxima.
  5. Repetiu 200 vezes. “Yes, respondi tudo!”
  6. 300 novos emails chegaram nesse tempo.
  7. Teve um grande ataque de pânico
  8. Clicou na primeira….
  9. Acabou o dia de trabalho.

Esse é o eterno loop de fazer pequenas tarefas, se manter ocupado, se sentir produtivo, mas terminar o dia desesperado por não ter feito nada.

Se você reparar bem, cada um desses e-mails é um item do buffet, e você está novamente transformando sua produtividade em um mexido com ovos ao responder “sim ou não” para cada mensagem que chega para você.

Agora some a isso: mensagens no chat da empresa, pessoas que vêm à sua mesa, o Whatsapp do chefe, etc

Desesperador, não? A boa notícia é que você já sabe como resolver esse problema, da mesma maneira que você pode comer melhor no self-service:

Trocando a pergunta para “qual”.

  • “Qual desses e-mails eu preciso responder agora?”
  • “Eu posso responder algum deles amanhã?”
  • “Qual eu posso simplesmente ignorar?” (minha favorita)

“Cada escolha, uma renúncia, isso é a vida”. Charlie Brown Jr.

Eu odeio Charlie Brown Jr., mas essa frase veio a calhar: aceitar que fazer algo sempre significa deixar de fazer outra coisa é libertador. E eficiente.

Priorização acima de tudo

Esse exercício serve para separar o que realmente merece ser feito, e quando. O principal aqui é possuir regras claras de priorização. Eu, pessoalmente, gosto de classificar o que farei de acordo com a seguinte prioridade:

  1. O que eu consigo fazer em menos de 2 minutos, eu simplesmente faço.
  2. O que é mais importante para meu trabalho e será feito hoje, fica na minha lista de tarefas. Aqui eu seleciono quais tarefas serão feitas.
  3. Tudo aquilo que não é importante, que não gera muito resultado e não é urgente eu coloco na lista para fazer no futuro.
  4. Tarefas pouco relevantes eu simplesmente apago.

Essa é uma descrição simplificada, baseada no GTD, uma metodologia muito bacana e poderosa, que eu explico com mais calma nesse texto aqui sobre produtividade.

Minha dica final: o primeiro passo

Criar mudanças de hábitos não é algo trivial, principalmente se a ideia for mudar de maneira geral seu método de organização ou trabalho. Ficamos com a sensação que é muito trabalhoso e por isso desistimos.

Eu tenho uma dica para você conseguir usar pelo menos algum ensinamento desse texto e mudar seu dia-a-dia:

Escolha somente uma coisa, por menor que seja, e mude somente ela. Pequenas mudanças são fáceis e, no tempo, viram hábito.

Depois dessa mudança, escolha a próxima, e depois a próxima, e por aí vai.

Em pouco tempo seu dia de trabalho será completamente diferente.

E aí, o que você vai mudar hoje?

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